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El Niño deve seguir forte até fevereiro de 2027

El Niño pode ser o mais intenso dos últimos 150 anos


Foto: Canva

O El Niño deve permanecer ativo até fevereiro de 2027, com probabilidade próxima de 100%, segundo atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM). A análise da Meteored indica ainda que o fenômeno pode continuar na categoria “muito forte” até o fim do verão do Hemisfério Sul, elevando o potencial para eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta.

Em atualização divulgada nesta quinta-feira (3), a OMM afirmou que, pela primeira vez, uma previsão oficial aponta uma probabilidade próxima de 100% de persistência do El Niño até fevereiro de 2027, período que abrange todo o próximo verão do Hemisfério Sul.

Segundo dados divulgados pela OMM, a manutenção do aquecimento excepcional das águas do Pacífico Equatorial nos próximos cinco meses aumenta o potencial para eventos extremos em 2027, incluindo secas, enchentes, ondas de calor e tempestades intensas.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que o cenário exige atenção diante da combinação entre o aquecimento dos oceanos e a elevação das temperaturas globais. “O El Niño está se intensificando rapidamente diante dos nossos olhos. A ciência não deixa dúvidas: os oceanos continuam aquecendo, as temperaturas globais seguem em alta e o mundo entra em uma zona de maior risco para eventos climáticos extremos. A corrida agora é entre o aumento desses riscos e nossa capacidade de agir para proteger as pessoas.”

Além da elevada probabilidade de persistência, a análise da Meteored sobre os gráficos divulgados pela OMM aponta que os 13 modelos climáticos utilizados na previsão projetam anomalias da temperatura da superfície do mar (TSM) superiores a 2°C na região Niño 3.4 até pelo menos fevereiro de 2027.

Segundo dados divulgados pela OMM, valores de TSM superiores a 2°C na região Niño 3.4 correspondem à categoria “muito forte” do El Niño. Mesmo com uma tendência gradual de enfraquecimento após o pico, o fenômeno poderia permanecer nessa classificação até o fim do verão do Hemisfério Sul.

A média dos modelos também indica que as maiores anomalias podem se aproximar de 3,5°C durante o pico do fenômeno. Segundo a análise da Meteored, esses valores máximos podem permanecer por um período prolongado.

Nos gráficos analisados pela Meteored, a média dos modelos fica próxima de 3,5°C entre novembro e dezembro. Caso o cenário previsto se confirme, a análise aponta que este poderá ser o El Niño mais intenso registrado nos últimos 150 anos.

Embora tenha origem no Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño pode provocar efeitos em diferentes partes do planeta por meio das chamadas teleconexões. Mudanças nos padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica podem atingir setores como agricultura, recursos hídricos, segurança alimentar, energia e saúde pública.

Segundo dados divulgados pela OMM, os efeitos podem ocorrer a milhares de quilômetros da região onde o fenômeno se desenvolve.

A elevada confiança na previsão também amplia a possibilidade de preparação antecipada por parte de governos e serviços meteorológicos. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, destacou a necessidade de ampliar a resposta diante do cenário projetado. “Este El Niño excepcional exige uma preparação e uma resposta igualmente excepcionais.”

A OMM informou que vem ampliando as ações de monitoramento, os sistemas de alerta precoce e o apoio à gestão de riscos diante dos possíveis impactos do fenômeno.

A entidade também ressalta que os efeitos do El Niño não serão iguais em todas as regiões do planeta. A intensidade e a característica desses impactos dependerão da interação do fenômeno com outros padrões de variabilidade climática.

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